Descrição
Evidencias acumuladas nas últimas décadas demonstram claramente que a percepção visual resulta de processos computacionais elementares operando em paralelo e de forma distribuída. Hoje, uma das principais questões em debate é o mecanismo pelo qual essas informações visuais são agrupadas em uma única e coerente unidade perceptiva. Este problema constitui a direção que motiva a longo prazo a linha de pesquisa do Laboratório de Neurodinâmica da Visão da UFMG, criado em 2005 e registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq em 2007. Uma característica que distingue a abordagem experimental do laboratório de outros no mundo atuando em linhas de pesquisa similares é a escolha da coruja como modelo animal. Primeiramente, porque essa ave possui enormes capacidades visuais, em particular, por ter olhos frontais e visão binocular desenvolvida, permitindo alto desempenho em tarefas de localização espacial, mesmo em condições de visibilidade desfavoráveis. Além disso, diversas evidências mostram que seu sistema visual opera de forma incrivelmente análoga ao de primatas, que constituem os modelos animais clássicos da neurofisiologia da visão. De forma interessante, essas características não parecem ter sido herdadas de um ancestral comum: elas evoluíram de forma independente, provavelmente moldados por pressões seletivas semelhantes. Por isso, a coruja fornece uma oportunidade única de estudar o sistema visual por meio de uma abordagem comparativa com o potencial de proporcionar importantes insights para entender as regras gerais que governam a implementação de soluções neurais para o processamento visual. Neste contexto, o projeto buscou essencialmente: 1) aprofundar nossos achados acerca da organização funcional do sistema visual da coruja tanto a nível periférico que central; 2) estabelecer uma nova linha de pesquisa complementaria que visa obter uma melhor compreensão das bases biomecânicas e neuronais do comportamento de rastreamento visual atípico desta ave.