Descrição
Cada vez que piscamos, e isso acontece cerca de dez vezes por minuto, o fechamento das pálpebras provoca uma interrupção brutal da estimulação visual. Porém, o piscar não é geralmente percebido. O que se passa no cérebro cada vez que uma imagem deixa de ser projetada na retina? Qual é o mecanismo neuronal responsável por manter nossa continuidade perceptual durante o piscar? A resposta a essas questões é de grande relevância para uma maior compreensão acerca dos mecanismos subjacentes à percepção visual e à consciência. No presente projeto, propomos a utilização de um modelo experimental alternativo para abordar o problema: a coruja. Longe de ser aleatória, essa escolha respalda-se em diversas evidências de que seu sistema visual é altamente desenvolvido e análogo ao dos primatas. Além disso, a coruja oferece uma vantagem singular: a ausência de movimentos oculares. Em muitos modelos animais, a separação metodológica entre movimentação ocular e piscadas é difícil, dado que ambas são concomitantes e provocam efeitos similares sobre a atividade neuronal. Isso faz da coruja um excelente modelo para estudar isoladamente os correlatos neuronais do piscar, o objetivo principal deste projeto. A abordagem aqui proposta é eminentemente interdisciplinar. Utilizaremos registros eletrofisiológicos com múltiplos eletrodos, técnicas neuroanatômicas de marcação imunohistoquímica e injeção de traçadores, e métodos analíticos avançados para determinar as interações dinâmicas entre o telencéfalo e o tálamo visual, que possivelmente estão por trás da continuidade perceptual que acompanha o piscar.